Os Operadores Logísticos no Brasil - Necessidade de Maturidade
Observando o mercado brasileiro de Operadores Logísticos nestes últimos anos, me recordo de uma pesquisa realizada pela VarigLog quando esta iniciava suas operações e buscava entender o que o mercado, entre clientes, parceiros e até mesmo concorrentes ( potenciais parceiros ), esperava da nova operadora logística com base no modal aéreo.
As respostas direcionavam para a preocupação com a prestação de serviços completos, o chamado “porta a porta” e não os serviços parciais “porta-aeroporto” ou aeroporto-porta”, além da necessidade de atendentes com conhecimento da operação, agilidade, presteza e informação adequada, o que acredito ter valorizado em muito a VarigLog neste momento de venda.
Para a agonizante Varig e outras empresas aéreas ou rodoviárias onde atender passageiros é um “charme” e a carga se torna o “patinho feio” das operações é muito difícil promover o atendimento adequado às necessidades do mercado, quando a administração dos porões de aviões ou ônibus se torna uma atividade restritiva ou onerosa para os clientes.
Ampliar o atendimento para chegar aos clientes dos clientes, viabilizar integração, colaboração, informação adequada e custos menores são formas de entender as necessidades do mercado de forma mais efetiva.
A necessidade de maturidade dos operadores na utilização de pesquisas de mercado, bem como auditorias logísticas ou auditorias de qualidade, são fundamentais para o sucesso das operações logísticas terceirizadas ou não.
Os clientes de operações logísticas também, devem exigir estas pesquisas e auditorias para verificarem o quanto necessitam melhorar no atendimento aos clientes finais com pedidos completos, regulares, agendados e baratos.
A chegada de operadores logísticos globais nos últimos anos, tais como TNT, Exel, Mc Lane, Penske, Menlo, Fedex, DHL, entre outros, imprimiu uma nova ordem neste tipo de prestação de serviços, incluindo vários casos de sucesso e fracasso na terceirização dos serviços logísticos.
Este movimento inclui fusões, aquisições e concorrência predatória, ambiente em que os operadores logísticos nacionais tiveram que se adaptar e alguns dos sobreviventes estão ficando mais fortes, enquanto outros agonizam.
Operadores ‘full service” como também são chamados, globais ou nacionais, direcionaram nosso mercado para a busca da terceirização independente da otimização dos recursos ou da viabilidade dos negócios, identificando a falta de pesquisas e auditorias para se evidenciar a necessidade do mercado, ou simplesmente, ouvir os clientes dos clientes.
Importante ressaltar também, que estas pesquisas e auditorias necessárias, não são os únicos caminhos para o sucesso, devemos incluir conhecimento das operações, processos otimizados, recursos humanos treinados, infra-estrutura adequada, tecnologia da informação integrada e colaboração entre os parceiros.
Este cenário para o Brasil é perfeitamente natural, pois este setor está em pleno em desenvolvimento e consolidação com crescimento acima de 10 % ao ano.
Sendo assim, a necessidade de realinhamento das operações será constante para o próximos anos, utilizemos mais pesquisas e auditorias no mercado para o sucesso de nossas operações.
Altamiro Carlos Borges Júnior
Presidente
ASLOG – Associação Brasileira de Logística