PREVENÇÃO DE PERDAS ATRAVÉS DA GESTÃO ESTRATÉGICA DE ESTOQUES
A Gestão de Estoques no Brasil, durante muito tempo, ficou em segundo plano na preocupação dos gestores das empresas varejistas e atacadistas. Na época inflacionária, por não haver uma grande quantidade de redes de varejo e atacado, ou seja, baixa competitividade, a maioria dos negócios era gerenciada por seus proprietários. E estes executavam a gestão dos seus negócios utilizando sua experiência prática, adquirida através de suas vivências do dia a dia.
Faziam reposição de mercadorias ou compra de produtos, seguindo um modismo natural, que quando os vendedores dos fornecedores os visitavam, definiam as quantidades de compra de maneira prática. Apesar disso, a questão dos estoques não era uma preocupação muito grande, pelo fato que ter estoque era garantia de valorização do dinheiro investido.
Após o fim da Ciranda Financeira e a implantação do Plano Real, os gestores foram obrigados a “olhar para dentro”. Ou seja, a inflação moldou a prática de gestão do varejo e do atacado, forçando os a colocar o foco em processos, pessoas e produtos. Fatores como este, de baixa da taxa de inflação, crescente competitividade do mercado e a entrada de softwares de gestão empresarial, foram fundamentais para influenciar os gestores quanto à importância dos seus estoques e suas compras realizadas, dando a estes uma maior dedicação.
Alinhando isso, com as dificuldades de uma crise internacional, torna-se cada vez mais importante para o varejista e atacadista assegurar suas margens, e o ponto principal de superação passa a ser a redução dos seus custos, que por sinal, muitas vezes já vem ao longo do tempo sendo sacrificado e tornam-se cada vez mais complicado executar os seus cortes.
Tendo em vista a todos estes aspectos, é visível a crescente procura das empresas de varejo e atacado em se estruturar dentro de várias práticas de Prevenção de Perdas. Uma Consultoria Especializada em Implantar, com vivência em toda cadeia de abastecimento, e grande conhecedora dos segmentos de varejo e atacado, torna-se uma grande aliada do empresário neste processo, que passa por todos os pilares de uma organização: Infra Estrutura, Pessoas, Tecnologia e Processos.
Dentro destes pilares estão todas as boas práticas de mercado: adequação de layout de área de vendas e armazenagem, transportes de mercadorias; a criação de grupos de prevenção de perdas, envolvendo todas as áreas e capacitando pessoas; a utilização de sistemas de monitoramento e alarmes; e mapeamento e modelagem de processos, inventários rotativos, inventários gerais, entre outros.
Mas a grande oportunidade também pode ter um ponto de vista estratégico, ou seja, uma Gestão Estratégica de Estoques, é que a partir do desenvolvimento de uma ferramenta, para apoiar a tomada de decisão nos setores de Compras, Comercial, Perdas e Logística, são trabalhados indicadores de balanceamento de estoques, mix de produtos e margem.
Esta Análise Estratégica tem como objetivo principal a procura constante de equilíbrio entre a oferta e a demanda. Este equilíbrio deve ser sistematicamente aferido através de, entre outros, importantes indicadores de desempenho, por exemplo: número total de itens do mix; excesso de estoques acima de um número, a definir, de dias; produtos candidatos à falta; itens da curva “A” com estoque menor que a sua demanda; itens com baixa representatividade no negócio; itens sem venda no período definido; e itens com margem abaixo do planejado.
Os resultados são diretamente ligados as áreas de compras e comercial. Quando, por exemplo, analisamos os excessos e faltas, estamos visando um melhor desempenho na compra evitando alto investimento em estoque parado e evitando também a ruptura destes estoques, ou, a falta de produtos nas gôndolas e pontos de vendas. Isso traz um maior aproveitamento das oportunidades de atendimento ao cliente e consequentemente o aumento das vendas. Estoques balanceados e compras bem planejadas propiciam o menor desencaixe de recursos, podendo estes recursos serem aplicados em outras demandas. Não podemos deixar de registrar o ganho de eficiência na Movimentação e Armazenagem destes estoques.
Outro resultado importante é a avaliação de mix visando identificar os produtos que não valem a pena fazer parte do mix da empresa por seu baixo nível de venda e de lucratividade. Também podemos citar a análise de produtos sem venda e de produtos com margem inferior ao percentual definido, que visam identificar os produtos que estão “encalhados”, para serem promovidas promoções incentivando a sua saída. Estes produtos sacrificam a margem, e quando identificados, mesmo com a margem inferior ao definido, não vendem ou vendem muito pouco e retirá-los do mix pode ser uma decisão certa a se tomar.
Além disso, estes drives são desenvolvidos para contribuírem com resultados principalmente na adequação e qualidade do cadastro, que é um fator de sucesso fundamental para uma análise correta e aprofundada. A base de dados não pode conter erros. Deve-se ter um trabalho de tratamento desta base antes de iniciar, ou, logo no início das atividades. A análise funciona neste caso como uma espécie de auditoria do cadastro de produtos.
Enfim, a utilização de estratégia e inteligência, para uma análise e planejamento de ações e medidas voltadas para balancear os estoques, ira trazer um aproveitamento maior das oportunidades de vendas do varejo e do atacado. Tendo como benefício direto o baixo dispêndio de recursos, reduzindo o custo de financiamento de estoque, reduzindo as perdas e aumentando as vendas. É uma forma rica em possibilidade de tornar a empresa varejista e atacadista mais competitiva e se diferenciar do mercado, uma vez que, é imprescindível para uma implantação de Prevenção de Perdas a Gestão Estratégica de Estoques.
Denomina-se que, por ter uma grande importância no negócio, torna-se por completo a Gestão de Estoques e Perdas, como uma grande aliada na aquisição de mais força para o varejo e o atacado no impedimento que parte do seu faturamento seja prejudicado. Não é possível mais para os gestores dos setores varejistas e atacadistas, gerir seus estoques com base unicamente em experiência, assim como, não praticar a cultura de Prevenção de Perdas.

Jorge Moreira Junior
Regional ABGroup RJ