A Tecnologia de Rádio Freqüência e a Automação de Armazéns
Identificação por Rádio Freqüência (RFID) é uma tecnologia desenvolvida pelo MIT – Massachusetts Institue of Technology, que utiliza ondas eletromagnéticas para acessar dados armazenados em um microchip localizado “dentro” de uma tag.
As tags são uma espécie de etiqueta, e podem ser compostas por mais de um microchip, além de uma antena (para transmissão e captação das informações), podendo incluir também outras funcionalidades, tais como memória (permanente e/ou regravável) e fonte própria de energia (bateria).
A aplicação da RFID nas cadeias de suprimento é chamada de
EPC – Eletronic Product Code (Código Eletrônico do Produto). O EPC é um número único gravado no microchip, e contém obrigatoriamente os itens “Header” (utilizado para identificar o formato do EPC Code), “EPC Management Number” (prefixo da empresa), “Class” (identificação do Item), “Serial Number” (numero de série do item). Pode conter ainda outras chaves do padrão GS1, utilizadas na criação dos códigos de barra.
Para que o EPC seja eficiente, são necessárias tags, leitoras passivas (apenas tem captam o sinal das tags) e pequenas, de baixo custo, e alta performance. A informação deve ser mantida na rede EPC global. É necessário também que os itens tenham números de série individuais (produtos e unidades logísticas) para possibilitar a sua rastreabilidade (levantamento do histórico) através da cadeia de suprimentos. Os padrões utilizados para a codificação devem ser globais, multi-setoriais e que sejam compatíveis com as necessidades da empresa usuária.
Dentro do armazém, a utilização do EPC permite a automação de forma eficiente, já que os dados que serão coletados durante a movimentação dos materiais podem ser atualizados com simples uso de “tags ativos”.
”. Também não é necessário o contato visual direto da tag com a leitora, ou seja, a tag não necessariamente deve estar à mostra, o que garante a integridade e segurança dos dados. Outro fator que confere vantagens à utilização da RFID é que múltiplos tags podem ser lidos de uma só vez em uma única operação, a uma distância maior do que os códigos de barra, flexibilizando as operações.
No entanto, a automação de armazéns por RFID ainda oferece algumas desvantagens em relação aos métodos utilizados mais frequentemente. O primeiro fator que torna o uso de RFID inviável em alguns casos é o custo da tag. Se comparadas com as etiquetas comuns impressas em tinta, as tags apresentam um custo relativamente maior, só compensando ser utilizadas em produtos com alto valor agregado. Outro fator que inviabiliza o uso das tags RFID são os produtos ou as embalagens metalizadas, já que interferem na emissão das ondas eletromagnéticas e sua captação pelos equipamentos de leitura. As tags também não podem ser utilizadas na presença de líquidos, pois as mesmas podem ser danificadas, prejudicando a operação.
Se forem cumpridas todas essas exigências, a automação por RFID pode proporcionar à operação, o aumento da produtividade através da leitura e escrita de vários tags simultaneamente e em movimento (acesso on line ao banco de dados), sem a necessidade de operadores; associação automática, rápida e inequívoca da tag com os dados operacionais e de gestão, eliminando erros; simplificação na execução dos processos com a passagem das funcionalidades do sistema para o espaço operacional; melhoria na rastreabilidade dos materiais movimentados e maior segurança nas operações remotas, tudo isso reduzindo custos, o que é muito importante.

Evandro Biasini
Regional São Paulo