O transporte hidroviário está se tornando cada vez mais importante para o país, o seu desenvolvimento é fundamental para o crescimento do mercado. O Brasil possui um dos maiores sistemas aquaviarios do mundo, contendo 8 Bacias Hidrográficas e onde existe movimentação de quase meio milhão de toneladas de cargas. São números de bastante relevância no mercado mundial. Algumas empresas já exploram de forma relevante toda essa riqueza natural, podemos citar como uma delas a Caramuru Alimentos, com um faturamento anual em torno de R$ 2,2 bilhões e grande exportadora do complexo soja, esse cliente da ABGroup investiu cerca de 100 milhões no setor de transporte fluvial e observa resultados de otimização no transporte, e consequentemente de preservação ambiental, uma vez que, o modal hidroviário emite 90% menos gases tóxicos na atmosfera em relação a outros modais. No entanto, existem muitas barreiras a se vencer em relação a infra-estrutura fornecida nas navegações, uma dessas barreiras é a falta de construção de eclusas de forma a facilitar os fluxos das embarcações. Somente com essas obras é que a navegação no interior do Brasil pode ter êxito. Segundo dados confirmados pelo Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes o (DNIT), a construção de eclusas após o término de uma usina pode chegar a 30% do preço de uma hidrelétrica, ou seja, até seis vezes mais cara do que se for feito um planejamento para ser erguida juntamente com as obras da barragem. A Usina de Tucuruí, localizada a 400km de Belém, é um exemplo da falta de parceria entre as companhias energéticas e o transporte fluvial brasileiro, o projeto das eclusas foram iniciados depois do inicio da construção da barragem, o resultado é que em 1981 as obras da eclusa foram paralisadas e até hoje não foram concluídas, retomadas em 1997 a previsão é de serem finalizadas em 2010. A multimodalidade no Brasil está sendo bem cuidadas pelas autoridades do setor? Está sendo investido realmente as verbas necessárias para os estudos de viabilidade de navegação com qualidade? A Amazônia, por exemplo, é um estado que necessita de investimentos para atender de maneira sustentável a demanda da indústria de produtores agrícolas e minerais. A Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que os grandes produtores perdem mais de R$ 5 bilhões por ano tendo que levar suas mercadorias pelas rodovias para distribuição em portos ao sul e sudeste do Brasil. A expectativa das empresas que utilizam o transporte fluvial, é que haja uma sólida parceria com o governo federal junto as companhias energéticas e construtoras para que se realizem obras com intuito de beneficiar as importantes navegações nos rios brasileiros, através de investimentos e planejamentos necessários.

Em sua grande parte o destino final das navegações no interior do Brasil são os portos, nessa etapa encontra se novos desafios a serem superados até que o produto a ser destinado a exportação, seja carregado em outra embarcação para a navegação marítima. As maiores dificuldades enfrentadas são problemas de vias de acesso, congestionamento de trens e caminhões, alem de aspectos gerenciais dos portos. No momento o governo está com as atenções voltadas para as iniciativas de melhoramentos nas operações portuárias. Em entrevista, o ministro Pedro Brito da Secretaria Especial de Portos (SEP), afirmou que o Governo Federal estuda elaboração de projeto de lei para aperfeiçoar os marcos regulatórios do setor portuário nacional. Foram relacionados dez itens que devem ser redefinidos no novo marco regulatório. A mudança segundo o Ministro, é para dar maior segurança à iniciativa privada continuar investindo nos portos brasileiros. O principal foco no momento são as dragagens de aprofundamento dos portos, inclusive no dia 23 de Outubro de 2009 será assinado contrato com as vencedoras das licitações para execução das dragagens nos portos do Rio de Janeiro e Angra dos Reis – Somar e Interpa. A maior fatia do investimento será para o Porto do Rio, R$ 122 milhões, sem essa obra, completa o ministro, o porto se tornaria inviável nos próximos anos.

As iniciativas privadas necessitam de apoio do governo e vice versa. O planejamento de infra- estrutura para as navegações é de extrema importância para que o desenvolvimento das operações de exportações e importações brasileiras estejam adaptados aos grandes modelos internacionais. Portanto, concretizar as parcerias, investir em novas tecnologias e ter uma gestão qualificada nos portos fará com que o nosso transporte hidroviário atinja o sucesso.
Tranporte Fluvial e Marítimo: Visão de Desenvolvimento
Daniel Caliguer
Coorporativo ABGroup