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Eficiência Logística na Prática: Lições da Operação da Tiscoski Distribuidora (Braveo)

  • há 6 dias
  • 4 min de leitura

CEO e Fundador | ABGroup Desenvolvimento de Negócios


A busca por eficiência operacional deixou de ser uma vantagem competitiva para se tornar uma condição de sobrevivência no setor atacadista e distribuidor. Em um ambiente marcado por pressão de margens, expansão de mix e mudanças constantes no perfil de demanda, operações logísticas precisam evoluir de forma estruturada, integrada e orientada por resultados.


Foi exatamente esse cenário que motivou, entre 2021 e 2022, um projeto de otimização logística conduzido pela ABGroup na operação da Tiscoski Distribuidora, empresa da Braveo.


O objetivo era claro: aumentar produtividade e reduzir custos logísticos, com uma abordagem sistêmica envolvendo infraestrutura, processos, pessoas, tecnologia e indicadores.


O resultado foi direto e mensurável: redução de 0,5% dos custos logísticos sobre o faturamento bruto, além de ganhos expressivos de capacidade e produtividade.


Da teoria à prática: a validação em campo

Recentemente, durante uma visita técnica realizada na operação da Tiscoski Distribuidora, com a participação de executivos do setor, alunos da UND – Universidade da Distribuição e associados da ADAC- Associação de Distribuidores e Atacadistas Catarinenses, foi possível observar na prática os resultados desse projeto de otimização logística.


Mais do que uma apresentação conceitual, a visita evidenciou a consistência e a maturidade operacional alcançada ao longo dos anos, reforçando que os ganhos obtidos não foram pontuais, mas estruturais e sustentáveis.


A trajetória da Tiscoski Distribuidora

Fundada em 1987, em Forquilhinha (SC), por Aloysio Tiscoski, a empresa iniciou suas atividades como uma operação de pequeno porte, atendendo o mercado regional.


Ao longo dos anos, expandiu sua atuação e, a partir de 1999, passou a atender todo o estado de Santa Catarina, consolidando-se como uma das principais distribuidoras de bens de consumo da região.


Com um portfólio diversificado — incluindo alimentos, bebidas, higiene, limpeza, medicamentos e utilidades domésticas —, a Tiscoski construiu uma operação robusta, com alta capilaridade e capacidade de atendimento a diferentes perfis de clientes.


Mais do que crescimento, a empresa se destaca pela consistência de gestão e pela busca contínua por eficiência, características que sustentam sua evolução operacional até os dias atuais.


Contexto Operacional: escala, estrutura e complexidade


Antes de aprofundar nas soluções implementadas, é importante compreender o nível de maturidade e escala da operação.


A Tiscoski opera um centro de distribuição com aproximadamente 6.000 m², sustentado por uma equipe de 100 colaboradores na logística, distribuídos em 3 turnos com operação contínua 24 horas por dia.


Mesmo com essa complexidade operacional, a operação apresenta indicadores consistentes:

• Produtividade de separação: 380 a 400 unidades por homem/hora

• OTIF (On Time In Full): 91%

• Taxa de devolução: 0,65%

• Cortes: aproximadamente R$1.500 /mês

• Frota: 100% terceirizada

• Reentregas: 100% rerroteirizadas


Cabe destacar que a baixa taxa de devolução não é resultado apenas da logística, mas de uma atuação integrada com a área comercial, especialmente na gestão do tamanho de pedido, reduzindo distorções operacionais e melhorando a qualidade do atendimento.


Transformação Estrutural: Ganho de capacidade sem expansão física

Um dos pilares do projeto foi a reconfiguração do centro de distribuição, com foco em aumento da capacidade estática (número de paletes armazenados) e da capacidade dinâmica (número de paletes movimentados) no mesmo prédio, sem a necessidade de ampliações estruturais.


As principais intervenções incluíram:

• Implantação de ilha de picking para aumento da produtividade, e de uma estrutura de armazenagem drive-in que permitiu uma armazenagem mais intensiva

• Criação de área de pré-box, organizando e antecipando as etapas de carga e descarga

• Redesenho do fluxo operacional para eliminar gargalos e movimentações desnecessárias


Essas mudanças proporcionaram:

• +77% de aumento na capacidade de armazenagem

• +100% de aumento de produtividade operacional


Mais do que ganho físico, houve uma evolução na lógica operacional: o CD deixou de ser reativo e passou a operar com maior previsibilidade, cadência e aproveitamento dos recursos existentes.


Ilha de Picking: o motor da produtividade operacional

Entre as soluções implementadas, um dos principais destaques técnicos foi a implantação da ilha de picking, elemento central para o ganho de produtividade da operação.


Permitindo alcançar níveis consistentes de 380 a 400 unidades/homem/hora, patamar competitivo para operações do segmento distribuidor.


Esse modelo reorganiza o processo de separação, reduz deslocamentos e cria um fluxo contínuo mais eficiente dentro do CD.


Principais ganhos observados:

1. Produtividade

• Redução significativa do tempo de deslocamento

• Aumento da taxa de separação por operador

2. Acuracidade

• Menor incidência de erros operacionais

• Maior confiabilidade no atendimento de pedidos

3. Ergonomia

• Redução de esforço físico

• Melhoria nas condições de trabalho e menor fadiga

4. Escalabilidade

• Facilidade de adaptação a variações de demanda

• Base estruturada para evolução tecnológica futura


A utilização de equipamentos como o transpalete elétrico, integrada ao conceito da ilha, potencializou ainda mais a eficiência operacional.



Complementando a eficiência da separação, a operação adotou o conceito de SCCP — Separação, Conferência e Carregamento Paletizado, estruturando a expedição de forma integrada.


Impactos diretos:

• Redução de movimentações intermediárias

• Carregamento mais rápido e padronizado

• Aumento da acuracidade na expedição

• Integração com pré-box e roteirização A prática de rerroteirização de 100% das reentregas, aliada à frota totalmente terceirizada, reforça a flexibilidade e controle operacional na última milha.


Integração: O verdadeiro diferencial competitivo



Um ponto fundamental — e muitas vezes negligenciado — é que os ganhos não vieram de uma única solução isolada.


O sucesso do projeto esteve na integração entre cinco pilares:

• Infraestrutura (layout e armazenagem)

• Processos (fluxos e padronização)

• Pessoas (capacitação e disciplina operacional)

• Tecnologia da Informação (suporte e rastreabilidade)

• Indicadores de desempenho (gestão orientada a dados)


A combinação entre ilha de picking + SCCP + pré-box + gestão logística do ciclo do pedido foi determinante para o desempenho.


Sustentação dos resultados: consistência comprovada após 4 anos


Em 25 de março, durante visita técnica com alunos da UND- Universidade da Distribuição, clientes da ABGroup e associados da ADAC - Associação de Distribuidores e Atacadistas Catarinenses, foi possível observar um dos aspectos mais relevantes deste case: a consistência dos resultados ao longo do tempo.



Quatro anos após a implementação do projeto, a operação da Tiscoski demonstra que os ganhos não foram pontuais — foram estruturais e sustentáveis.

 
 
 

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