Eficiência Logística na Prática: Lições da Operação da Tiscoski Distribuidora (Braveo)
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CEO e Fundador | ABGroup Desenvolvimento de Negócios
A busca por eficiência operacional deixou de ser uma vantagem competitiva para se tornar uma condição de sobrevivência no setor atacadista e distribuidor. Em um ambiente marcado por pressão de margens, expansão de mix e mudanças constantes no perfil de demanda, operações logísticas precisam evoluir de forma estruturada, integrada e orientada por resultados.
Foi exatamente esse cenário que motivou, entre 2021 e 2022, um projeto de otimização logística conduzido pela ABGroup na operação da Tiscoski Distribuidora, empresa da Braveo.
O objetivo era claro: aumentar produtividade e reduzir custos logísticos, com uma abordagem sistêmica envolvendo infraestrutura, processos, pessoas, tecnologia e indicadores.
O resultado foi direto e mensurável: redução de 0,5% dos custos logísticos sobre o faturamento bruto, além de ganhos expressivos de capacidade e produtividade.
Da teoria à prática: a validação em campo
Recentemente, durante uma visita técnica realizada na operação da Tiscoski Distribuidora, com a participação de executivos do setor, alunos da UND – Universidade da Distribuição e associados da ADAC- Associação de Distribuidores e Atacadistas Catarinenses, foi possível observar na prática os resultados desse projeto de otimização logística.
Mais do que uma apresentação conceitual, a visita evidenciou a consistência e a maturidade operacional alcançada ao longo dos anos, reforçando que os ganhos obtidos não foram pontuais, mas estruturais e sustentáveis.
A trajetória da Tiscoski Distribuidora
Fundada em 1987, em Forquilhinha (SC), por Aloysio Tiscoski, a empresa iniciou suas atividades como uma operação de pequeno porte, atendendo o mercado regional.
Ao longo dos anos, expandiu sua atuação e, a partir de 1999, passou a atender todo o estado de Santa Catarina, consolidando-se como uma das principais distribuidoras de bens de consumo da região.
Com um portfólio diversificado — incluindo alimentos, bebidas, higiene, limpeza, medicamentos e utilidades domésticas —, a Tiscoski construiu uma operação robusta, com alta capilaridade e capacidade de atendimento a diferentes perfis de clientes.
Mais do que crescimento, a empresa se destaca pela consistência de gestão e pela busca contínua por eficiência, características que sustentam sua evolução operacional até os dias atuais.
Contexto Operacional: escala, estrutura e complexidade

Antes de aprofundar nas soluções implementadas, é importante compreender o nível de maturidade e escala da operação.
A Tiscoski opera um centro de distribuição com aproximadamente 6.000 m², sustentado por uma equipe de 100 colaboradores na logística, distribuídos em 3 turnos com operação contínua 24 horas por dia.
Mesmo com essa complexidade operacional, a operação apresenta indicadores consistentes:
• Produtividade de separação: 380 a 400 unidades por homem/hora
• OTIF (On Time In Full): 91%
• Taxa de devolução: 0,65%
• Cortes: aproximadamente R$1.500 /mês
• Frota: 100% terceirizada
• Reentregas: 100% rerroteirizadas
Cabe destacar que a baixa taxa de devolução não é resultado apenas da logística, mas de uma atuação integrada com a área comercial, especialmente na gestão do tamanho de pedido, reduzindo distorções operacionais e melhorando a qualidade do atendimento.
Transformação Estrutural: Ganho de capacidade sem expansão física
Um dos pilares do projeto foi a reconfiguração do centro de distribuição, com foco em aumento da capacidade estática (número de paletes armazenados) e da capacidade dinâmica (número de paletes movimentados) no mesmo prédio, sem a necessidade de ampliações estruturais.
As principais intervenções incluíram:
• Implantação de ilha de picking para aumento da produtividade, e de uma estrutura de armazenagem drive-in que permitiu uma armazenagem mais intensiva
• Criação de área de pré-box, organizando e antecipando as etapas de carga e descarga
• Redesenho do fluxo operacional para eliminar gargalos e movimentações desnecessárias
Essas mudanças proporcionaram:
• +77% de aumento na capacidade de armazenagem
• +100% de aumento de produtividade operacional
Mais do que ganho físico, houve uma evolução na lógica operacional: o CD deixou de ser reativo e passou a operar com maior previsibilidade, cadência e aproveitamento dos recursos existentes.
Ilha de Picking: o motor da produtividade operacional

Entre as soluções implementadas, um dos principais destaques técnicos foi a implantação da ilha de picking, elemento central para o ganho de produtividade da operação.
Permitindo alcançar níveis consistentes de 380 a 400 unidades/homem/hora, patamar competitivo para operações do segmento distribuidor.
Esse modelo reorganiza o processo de separação, reduz deslocamentos e cria um fluxo contínuo mais eficiente dentro do CD.
Principais ganhos observados:
1. Produtividade
• Redução significativa do tempo de deslocamento
• Aumento da taxa de separação por operador
2. Acuracidade
• Menor incidência de erros operacionais
• Maior confiabilidade no atendimento de pedidos
3. Ergonomia
• Redução de esforço físico
• Melhoria nas condições de trabalho e menor fadiga
4. Escalabilidade
• Facilidade de adaptação a variações de demanda
• Base estruturada para evolução tecnológica futura
A utilização de equipamentos como o transpalete elétrico, integrada ao conceito da ilha, potencializou ainda mais a eficiência operacional.

Complementando a eficiência da separação, a operação adotou o conceito de SCCP — Separação, Conferência e Carregamento Paletizado, estruturando a expedição de forma integrada.
Impactos diretos:
• Redução de movimentações intermediárias
• Carregamento mais rápido e padronizado
• Aumento da acuracidade na expedição
• Integração com pré-box e roteirização A prática de rerroteirização de 100% das reentregas, aliada à frota totalmente terceirizada, reforça a flexibilidade e controle operacional na última milha.
Integração: O verdadeiro diferencial competitivo

Um ponto fundamental — e muitas vezes negligenciado — é que os ganhos não vieram de uma única solução isolada.
O sucesso do projeto esteve na integração entre cinco pilares:
• Infraestrutura (layout e armazenagem)
• Processos (fluxos e padronização)
• Pessoas (capacitação e disciplina operacional)
• Tecnologia da Informação (suporte e rastreabilidade)
• Indicadores de desempenho (gestão orientada a dados)
A combinação entre ilha de picking + SCCP + pré-box + gestão logística do ciclo do pedido foi determinante para o desempenho.
Sustentação dos resultados: consistência comprovada após 4 anos
Em 25 de março, durante visita técnica com alunos da UND- Universidade da Distribuição, clientes da ABGroup e associados da ADAC - Associação de Distribuidores e Atacadistas Catarinenses, foi possível observar um dos aspectos mais relevantes deste case: a consistência dos resultados ao longo do tempo.

Quatro anos após a implementação do projeto, a operação da Tiscoski demonstra que os ganhos não foram pontuais — foram estruturais e sustentáveis.




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